Quando faz sentido plantar Kiri em vez de eucalipto?
- Paulownia Brasil

- 24 de nov. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 25 de nov. de 2025

O eucalipto domina há décadas o reflorestamento no Brasil. É conhecido, tem mercado estabelecido e faz parte do dia a dia de muitos produtores.
O Kiri Japonês (Paulownia), por outro lado, ainda
é novidade para a maioria. Justamente por isso, muita gente só ouve falar dele em dois extremos: ou como “a árvore milagrosa” ou mais uma moda.
A realidade está no meio do caminho.
A questão não é substituir eucalipto por Kiri, mas entender quando faz sentido incluir Kiri no projeto florestal em vez de seguir apenas com o eucalipto.
1. O que mudou no jogo: madeira + carbono
Nos últimos anos, duas coisas passaram a pesar cada vez mais na decisão de plantar florestas:
Exigência do mercado por madeira de maior valor agregado
Possibilidade de gerar receita com créditos de carbono
Em outubro de 2025, o governo federal regulamentou o uso de créditos de carbono em concessões florestais e reforçou a adoção de metodologias internacionais (como Verra, Gold Standard, Social Carbon). Isso vale tanto para áreas públicas quanto privadas, e cria um ambiente mais previsível para projetos que combinam:
Recuperação de área,
Produção de madeira,
Geração de crédito de carbono.
Nesse contexto, espécies de rápido crescimento e bom potencial de sequestro de carbono, como o Kiri, passaram a ganhar espaço em projetos mais estruturados.
2. Kiri x eucalipto: onde cada um joga melhor
2.1. Produtividade e uso da madeira
De forma simplificada:
Eucalipto
Excelente para volume em curto/médio prazo.
Forte em usos como celulose, energia, chapas, madeira estrutural de menor valor.
Funciona bem quando o objetivo é abastecer um mercado já estabelecido e de grande escala.
Kiri (Paulownia)
Projetado para alto volume por hectare e madeira mais nobre.
Direcionado a:
Movelaria,
Construção leve,
Aplicações industriais específicas,
Exportação para mercados que já conhecem o Kiri.
O Inventário serrado de Kiri em projetos bem conduzidos gera praticamente o dobro do eucalipto serrado.
Ou seja: quando o produtor pensa em valor gerado por hectare, o Kiri passa a entrar seriamente na conversa.
2.2. Mercado e posicionamento
Aqui está um ponto importante: o eucalipto vive de escala e volume; o Kiri, de nicho e valor.
Com eucalipto, o produtor surfa um mercado mais previsível, porém com preço pressionado e muita oferta.
Com Kiri, o produtor mira:
Mercados que já pagam mais pela madeira,
Compradores exigentes em qualidade,
Possibilidade real de exportação.
No seu caso, o desenho ideal de projeto com Kiri não é “produzir qualquer madeira para vender para qualquer um”.
É plantar já pensando no padrão de tora e de desdobro que o mercado interno e externo vai exigir.
3. Carbono: onde o Kiri encaixa bem
O Kiri vem sendo usado em projetos que integram:
Recuperação de áreas degradadas,
Floresta de rápido crescimento,
Geração de créditos de carbono.
Referência prática que você já tem estruturada:
Mínimo típico: 5 hectares para começar a falar em certificação de carbono.
Estimativa de geração: cerca de 50 créditos de carbono por hectare ao ano.
Valor de mercado (varia, mas usando como referência novembro/2025): entre US$ 21 e US$ 25 por crédito.
Mesmo sendo números conservadores, isso mostra que:
O carbono pode se tornar uma renda anual recorrente,
Complementando o ganho principal com madeira ao final do ciclo.
E por que isso pesa a favor do Kiri?
Porque ele combina:
Crescimento rápido,
Bom potencial de volume lenhoso,
Projeto florestal tecnicamente desenhado desde o início para atender aos critérios de certificação.
Em outras palavras: não é só plantar árvore e chamar de projeto de carbono.É estruturar desde o começo para madeira + carbono, e é aí que o Kiri se diferencia.
4. Para que tipo de produtor o Kiri faz sentido?
O Kiri tende a fazer sentido para um perfil específico de produtor:
Área disponível: pelo menos 5 hectares contíguos para floresta comercial.
(Menos que isso até pode ser estudado, mas o custo de projeto e acompanhamento dilui pior.)
Visão de longo prazo: olhar de 8 anos para frente, pensando em ciclos sucessivos sobre a mesma raiz.
Interesse em diversificação: não quer depender só de soja, boi, milho ou mesmo só de eucalipto.
Busca por valor por hectare: quer maximizar resultado por área, não apenas plantar a espécie mais barata.
Apetite para projeto bem desenhado: aceita seguir um plano técnico (solo, manejo, espaçamento, poda, colheita).
Quando o produtor tem esse perfil, o Kiri deixa de ser “arvore exótica” e passa a ser ativo florestal estratégico dentro da fazenda.
Já quando o cenário é:
Área pequena, muito recortada ou com restrições fortes,
Foco total em custo de implantação mais baixo,
Mercado principal sendo lenha, carvão ou uso próprio de baixo valor,
o eucalipto continua sendo a escolha mais racional.
5. Exemplos práticos de decisão
Exemplo 1 – Produtor de grãos no Centro-Oeste
Tem 30 hectares de borda/pasto pouco aproveitados.
Região com boa pluviosidade e logística razoável.
Já está exposto demais à oscilação de preço de soja e boi.
Quer montar um projeto com potencial de exportação e carbono.
Nesse cenário, faz bastante sentido considerar um projeto de Kiri, combinando:
Madeira de maior valor,
Projeto pensado para atender padrão externo,
Possibilidade de certificação de carbono.
Exemplo 2 – Dono de terra no Sul/Sudeste
Propriedade de médio porte, com 10–20 hectares livres.
Já tem eucalipto ou pinus, mas sente o preço pressionado.
Quer algo que agregue valor à terra e ajude na sucessão familiar.
Aqui, Kiri funciona bem como complemento de portfólio florestal, e não substituto total do eucalipto:
Eucalipto garante liquidez e volume.
Kiri entra onde o produtor quer diferenciar e buscar valor maior por hectare.
Exemplo 3 – Pequeno produtor com foco em lenha e carvão
Área reduzida, pouca disponibilidade de capital.
Mercado principal: consumo próprio ou queima local.
Prioridade: custo de implantação e simplicidade.
Nesse caso, forçar Kiri não faz sentido.O eucalipto segue como a espécie mais simples, conhecida e adequada.
6. Como decidir: um roteiro simples
Se você está avaliando se faz sentido estudar Kiri na sua fazenda, o caminho prático é:
Começar pela área– Mapear quantos hectares realmente estão disponíveis. Verificar documentação, restrições, acesso, logística.
Clarificar o objetivo de negócio– Quer apenas madeira de baixo custo?– Quer madeira de maior valor + possibilidade de exportação?– Quer combinar madeira com crédito de carbono?
Olhar o horizonte de tempo– Você está disposto a trabalhar com um projeto de 8 anos ou mais?– Faz sentido, na sua realidade, construir um ativo florestal pensando em sucessão e patrimônio?
Conversar com quem estrutura o projeto– Em vez de olhar só para muda por muda, olhar para:
desenho técnico do plantio,
mercado alvo da madeira,
caminho para carbono, se fizer sentido.
7. Conclusão: quando o Kiri entra no jogo
Resumindo de forma direta:
Faz sentido considerar Kiri em vez de eucalipto (ou além do eucalipto) quando:
Você tem pelo menos 5 hectares disponíveis,
Quer aumentar valor por hectare, e não só volume de madeira barata,
Enxerga potencial em madeira mais nobre e, eventualmente, exportação,
Se interessa em estruturar um projeto que possa gerar créditos de carbono.
O eucalipto continua sendo mais adequado quando:
A prioridade é custo baixo e simplicidade,
O mercado alvo é lenha, carvão ou uso industrial de menor valor,
Não há interesse em estruturar um projeto florestal mais complexo.
O Kiri não vem para “matar o eucalipto”. Ele vem para ocupar o espaço do produtor e investidor que quer profissionalizar a floresta como ativo de alto valor, integrando madeira, carbono e planejamento de longo prazo.




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